Documento fundador

Manifesto-Movimento pela Sabedoria da Cultura Portuguesa e Lusófona

Paulo Borges, com contributos de Fábio Ramunni e António Guerreiro.

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Parte 4 de 4

Propostas para uma cultura viva

II

Propomos:

  1. Promover um movimento global de descoberta, conhecimento, valorização, cultivo e aprofundamento dos temas e aspectos mais característicos, singulares e universais da sabedoria inerente à cultura portuguesa e lusófona, desde as suas profundas raízes pré-históricas até ao presente, dando-lhes uma expressão actual e futurante, adequada aos desafios da busca de alternativas à policrise da civilização contemporânea. Trata-se de despertar, activar e manifestar os poderosos arquétipos do nosso inconsciente cultural. A motivação deste movimento não é o mero cultivo e engrandecimento da identidade cultural nacional, mas a assunção do que nela há de mais sábio, singular e universal para o oferecer e colocar ao serviço do bem de todos os seres humanos, de todos os seres sencientes, da Terra e do Cosmos;

  2. Promover – sempre que possível em espaços simbólicos, sagrados e em comunhão com a natureza - encontros, celebrações, festivais, convívios, refeições, tertúlias, palestras, meditações e outras práticas contemplativas, caminhadas, cursos, publicações e outras iniciativas onde os aspectos espirituais, mito-simbólicos e rituais, filosóficos, artísticos e literários da cultura portuguesa e lusófona sejam cultivados, de modo a gerar um sentimento de comunidade e formar uma crescente massa crítica e criativa que funcione como um catalisador da transformação das consciências e, por extensão, da sociedade portuguesa e das suas instituições. É particularmente importante promover eventos culturais onde se encenem, recriem e vivenciem os grandes temas, mitos e símbolos da cultura portuguesa e lusófona, de uma forma participada por todos, onde se supere a distinção entre autores, actores e público, bem como entre cultura popular e erudita. É também fundamental criar-se uma nova linguagem, onde se harmonize o imaginário tradicional e a sensibilidade contemporânea;

  3. Criar uma comunidade movida pelo espírito universalista da cultura portuguesa e lusófona na sua diversidade de visões, perspectivas, leituras e propostas, onde unidade e diversidade se harmonizem, se cultivem e aprofundem relações fraternas e solidárias e todos possam sentir que pertencem;

  4. Contribuir para a evolução, abertura e metamorfose criativa do sentimento de identidade e consciência cultural portuguesa e lusófona, na abertura, diálogo e conexão com todos os povos, culturas e tradições, mostrando a compatibilidade entre singularidade e universalidade e que a nossa vocação é desfazer muros e criar pontes;

  5. Cultivar um genuíno amor e sentimento de comunhão com a terra, os seres vivos, plantas, animais e espaços naturais de Portugal, despertando para a sua sacralidade. Despertar para a dimensão mais-do-que-humana, natural e cósmica, visível e invisível, de Portugal;

    Árvore de ramos largos entre rochas cobertas de musgo
    Árvore, pedra e musgo · Fotografia: Fábio Ramunni
  6. Cultivar na comunidade portuguesa e lusófona um sentimento de compromisso e missão de conhecer, aprofundar e transmitir às crianças e aos mais jovens, às gerações futuras e ao mundo o nosso multimilenar património tradicional e legado cultural, as nossas propostas e visões de um sentido mais sábio e pleno para a vida humana na Terra e no Cosmos;

  7. Sensibilizar pensadores, investigadores, artistas e escritores para o espírito, princípios e valores assumidos neste Manifesto-Movimento, encorajando-os, conscientes do papel fundamental do pensamento e da arte na transformação da consciência individual e colectiva, a integrarem na sua actividade as propostas aqui apresentadas que em si mais ressoarem.

  8. Criar uma Escola de Sabedoria da Cultura Portuguesa e Lusófona, que ofereça vários níveis de formações neste âmbito, acessíveis a todos.

  9. Estas propostas visionam uma humanidade menos dominada pela ignorância, pelo medo, pela agressão, pela competição, pelo poder, pela aquisição e acumulação, e mais guiada pela sabedoria, pela liberdade, pela compreensão, pela fraternidade, pela generosidade, pela criatividade e pela comunhão com todas as dimensões da realidade e formas de vida, numa nova síntese espiritual, cultural e civilizacional onde o ser não seja sacrificado ao ter, o silêncio contemplativo se reconheça como sagrado e a diversidade de culturas expresse uma unidade mais harmoniosa e verdadeira. Este Manifesto-Movimento assume a promoção da sabedoria da cultura (galaico-)portuguesa e lusófona como um contributo fundamental para isso, no advento, não só futuro, mas a cada instante, do que se chama Império do Espírito Santo, Quinto Império ou, como preferimos, Irmânia.

Raios de sol atravessam as nuvens e iluminam o mar visto do alto da Peninha
Vista da Peninha · Fotografia: Paulo Borges

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