Parte 4 de 4
Propostas para uma cultura viva
II
Propomos:
Promover um movimento global de descoberta, conhecimento, valorização, cultivo e aprofundamento dos temas e aspectos mais característicos, singulares e universais da sabedoria inerente à cultura portuguesa e lusófona, desde as suas profundas raízes pré-históricas até ao presente, dando-lhes uma expressão actual e futurante, adequada aos desafios da busca de alternativas à policrise da civilização contemporânea. Trata-se de despertar, activar e manifestar os poderosos arquétipos do nosso inconsciente cultural. A motivação deste movimento não é o mero cultivo e engrandecimento da identidade cultural nacional, mas a assunção do que nela há de mais sábio, singular e universal para o oferecer e colocar ao serviço do bem de todos os seres humanos, de todos os seres sencientes, da Terra e do Cosmos;
Promover – sempre que possível em espaços simbólicos, sagrados e em comunhão com a natureza - encontros, celebrações, festivais, convívios, refeições, tertúlias, palestras, meditações e outras práticas contemplativas, caminhadas, cursos, publicações e outras iniciativas onde os aspectos espirituais, mito-simbólicos e rituais, filosóficos, artísticos e literários da cultura portuguesa e lusófona sejam cultivados, de modo a gerar um sentimento de comunidade e formar uma crescente massa crítica e criativa que funcione como um catalisador da transformação das consciências e, por extensão, da sociedade portuguesa e das suas instituições. É particularmente importante promover eventos culturais onde se encenem, recriem e vivenciem os grandes temas, mitos e símbolos da cultura portuguesa e lusófona, de uma forma participada por todos, onde se supere a distinção entre autores, actores e público, bem como entre cultura popular e erudita. É também fundamental criar-se uma nova linguagem, onde se harmonize o imaginário tradicional e a sensibilidade contemporânea;
Criar uma comunidade movida pelo espírito universalista da cultura portuguesa e lusófona na sua diversidade de visões, perspectivas, leituras e propostas, onde unidade e diversidade se harmonizem, se cultivem e aprofundem relações fraternas e solidárias e todos possam sentir que pertencem;
Contribuir para a evolução, abertura e metamorfose criativa do sentimento de identidade e consciência cultural portuguesa e lusófona, na abertura, diálogo e conexão com todos os povos, culturas e tradições, mostrando a compatibilidade entre singularidade e universalidade e que a nossa vocação é desfazer muros e criar pontes;
Cultivar um genuíno amor e sentimento de comunhão com a terra, os seres vivos, plantas, animais e espaços naturais de Portugal, despertando para a sua sacralidade. Despertar para a dimensão mais-do-que-humana, natural e cósmica, visível e invisível, de Portugal;

Árvore, pedra e musgo · Fotografia: Fábio Ramunni Cultivar na comunidade portuguesa e lusófona um sentimento de compromisso e missão de conhecer, aprofundar e transmitir às crianças e aos mais jovens, às gerações futuras e ao mundo o nosso multimilenar património tradicional e legado cultural, as nossas propostas e visões de um sentido mais sábio e pleno para a vida humana na Terra e no Cosmos;
Sensibilizar pensadores, investigadores, artistas e escritores para o espírito, princípios e valores assumidos neste Manifesto-Movimento, encorajando-os, conscientes do papel fundamental do pensamento e da arte na transformação da consciência individual e colectiva, a integrarem na sua actividade as propostas aqui apresentadas que em si mais ressoarem.
Criar uma Escola de Sabedoria da Cultura Portuguesa e Lusófona, que ofereça vários níveis de formações neste âmbito, acessíveis a todos.
Estas propostas visionam uma humanidade menos dominada pela ignorância, pelo medo, pela agressão, pela competição, pelo poder, pela aquisição e acumulação, e mais guiada pela sabedoria, pela liberdade, pela compreensão, pela fraternidade, pela generosidade, pela criatividade e pela comunhão com todas as dimensões da realidade e formas de vida, numa nova síntese espiritual, cultural e civilizacional onde o ser não seja sacrificado ao ter, o silêncio contemplativo se reconheça como sagrado e a diversidade de culturas expresse uma unidade mais harmoniosa e verdadeira. Este Manifesto-Movimento assume a promoção da sabedoria da cultura (galaico-)portuguesa e lusófona como um contributo fundamental para isso, no advento, não só futuro, mas a cada instante, do que se chama Império do Espírito Santo, Quinto Império ou, como preferimos, Irmânia.

Este Manifesto ressoa em si?
Entre na rede da Confraria para acompanhar as iniciativas que dele nascem.